Comece pelo grau exato e pelas condições de ensaio
Ao comparar os dados de chapas de UHMWPE, leia em conjunto o nome da propriedade, o método de ensaio, as unidades e as notas. Um resultado obtido para um grau identificado, em condições indicadas, é útil para uma primeira seleção de materiais. Não constitui automaticamente uma garantia para todas as chapas de UHMWPE nem para a peça acabada que está a projetar.

Confirme o que abrange a designação do material
UHMWPE significa polietileno de peso molecular ultra-elevado; as designações PE-UHMW e PE1000 também aparecem nos catálogos de chapas. Estes nomes identificam uma família de materiais, não uma espessura nem uma especificação completa de desempenho. Registe o grau exato, a formulação e o formato do produto semiacabado antes de comparar resultados.
Verifique se cada dado é um valor típico, indicativo, mínimo ou um limite de aceitação acordado. Não transforme um valor médio num mínimo garantido. Uma entrada em branco significa que a tabela não apresenta esse resultado; não significa desempenho nulo nem capacidade ilimitada.
Distinga os dados de desgaste dos dados de atrito
Os dados de desgaste descrevem a perda de material num ensaio específico. Um ensaio numa mistura de areia e água pode apresentar um índice relativo de perda de volume face a um material de referência, enquanto um ensaio de desgaste por deslizamento pode indicar a perda por unidade de distância. Compare primeiro o método e a referência: dois valores de desgaste diferentes podem não representar as mesmas condições de trabalho.
O coeficiente de atrito descreve a resistência ao movimento entre duas superfícies. Distinga o atrito de arranque ou estático do atrito de deslizamento ou dinâmico. Verifique o material e o acabamento da superfície oposta, a pressão de contacto, a velocidade e a temperatura, bem como se o ensaio decorreu a seco, em água ou com lubrificação. O coeficiente não é uma constante para todos os contactos do UHMWPE.
Numa guia ou num revestimento, avalie separadamente o desgaste e o comportamento ao deslizamento. Um resultado de baixo atrito não demonstra, por si só, pouco desgaste no transporte de materiais abrasivos. Do mesmo modo, um bom resultado de resistência à abrasão não indica como a peça iniciará o movimento contra a superfície com que efetivamente estará em contacto.
Distinga impacto, rigidez e carga prolongada
A tensão de tração na cedência e a tensão de tração na rotura correspondem a pontos diferentes do ensaio. O módulo de elasticidade em tração descreve a rigidez, que não é a mesma propriedade que a resistência mecânica. Verifique a velocidade e a temperatura do ensaio e não compare valores de tração e de flexão como se as condições de aplicação da carga fossem idênticas.
Um resultado de impacto deve ser lido com o método, a geometria do entalhe, as dimensões do provete e a temperatura de ensaio. A indicação «sem rotura» significa que o provete não se partiu nesse ensaio; não equivale a uma resistência ilimitada ao impacto. O uso a baixas temperaturas também exige dados para o grau concreto e a temperatura prevista.
Uma tabela pode apresentar a tensão de compressão a 1 %, 2 % ou 5 % de deformação. São tensões associadas a uma deformação definida, não cargas admissíveis que possam ser usadas indistintamente para uma peça. Sob carga prolongada, o UHMWPE pode sofrer fluência. Se uma guia tiver de conservar a sua folga ou um patim tiver de manter a forma, utilize dados de deformação adequados à duração e à temperatura de serviço.
Leia cada valor térmico de acordo com a sua finalidade
A temperatura de fusão, a temperatura de deflexão térmica (HDT) e o intervalo de temperatura de serviço indicado respondem a questões diferentes. A HDT é medida sob uma tensão de flexão especificada. A temperatura de fusão não é um limite de funcionamento para um componente sob carga. Confirme se a orientação de temperatura de serviço pressupõe uma peça sem carga, exposição ao ar, uma exposição de curta duração ou funcionamento prolongado.
Para avaliar a dilatação térmica, verifique o coeficiente, as unidades e o intervalo de temperaturas. O comprimento do painel e a variação de temperatura prevista determinam o movimento que a montagem deve permitir. Confirme as juntas entre painéis e as folgas nas fixações: uma baixa absorção de água não elimina os movimentos de dilatação térmica.
Não confunda absorção de água com compatibilidade química
Uma percentagem de absorção de água deve ser acompanhada da duração do ensaio, da temperatura da água e das condições de acondicionamento. Um resultado após 24 horas de imersão e um resultado à saturação são dados diferentes. Uma baixa absorção é útil em serviço húmido, mas não comprova resistência a todos os fluidos de processo nem a todos os produtos de limpeza.
Para avaliar a exposição química, identifique a substância, a concentração, a temperatura, o tempo de contacto e a carga mecânica. Inclua os produtos de lavagem e os lubrificantes, não apenas o meio habitual do processo. Os dados de compatibilidade do grau escolhido são mais úteis do que afirmar, sem ressalvas, que o UHMWPE é quimicamente inerte.
Verifique os requisitos especiais e o formato fornecido
Os requisitos de contacto alimentar, controlo da eletricidade estática, exposição a UV e outras propriedades especiais exigem comprovação para a formulação proposta e as condições previstas. A documentação de contacto alimentar de um grau ou cor não abrange automaticamente outros. Verifique a utilização declarada, as eventuais restrições e a formulação fornecida.
Para o controlo da eletricidade estática, distinga a resistência superficial em ohms (Ω) da resistividade volúmica em ohm-centímetros (Ω·cm) e verifique o método de ensaio. Uma chapa preta não é necessariamente antiestática ou condutora. Compare o requisito elétrico especificado com os dados da formulação concreta, em vez de se basear na cor ou na designação geral UHMWPE.
Distinga também os dados da resina das propriedades indicadas para os produtos semiacabados. O UHMWPE convencional tem uma viscosidade de fusão muito elevada; a moldação por compressão e a extrusão por pistão são processos comuns para produzir semiacabados, que depois são maquinados. Existem graus especiais processáveis por fusão, mas não deve presumir que uma chapa convencional tem essa mesma capacidade de transformação.
Utilize os dados para concretizar a sua consulta sobre o material
Se está a comparar chapas connosco, identifique a propriedade que condiciona o seu projeto e as condições do ensaio correspondente. Indique-nos quais os valores usados para uma primeira seleção e quais são requisitos de aceitação. O nosso guia de seleção de UHMWPE explica as principais vantagens e limitações.
Para consultar exemplos de revestimentos, guias e peças de desgaste maquinadas, use o nosso guia de aplicações do UHMWPE. Quando nos contactar, envie a especificação do material ou a referência da ficha técnica relevante. Assim podemos analisar o grau proposto e as operações de fabrico necessárias face ao requisito.